Fui Notificado de uma Medida Protetiva: O que devo fazer?
Receber a notificação de que uma medida protetiva foi deferida contra você é uma experiência que gera dúvidas, angústia e, muitas vezes, sensação de injustiça — especialmente quando a pessoa considera as acusações exageradas ou falsas.
Este artigo foi escrito para esclarecer, de forma técnica e equilibrada, quais são os direitos de quem é alvo de uma medida protetiva, o que se pode e não se pode fazer, e como agir de forma juridicamente correta nesse momento delicado.
O que É e o que Não É uma Medida Protetiva
A medida protetiva é uma ordem judicial de natureza cautelar. Isso significa que ela foi deferida com base em uma análise preliminar do risco, sem ouvir sua versão dos fatos previamente.
Isso não é uma falha do sistema — é intencional. A lei prioriza a proteção imediata da vítima. Mas isso também significa que você tem o direito de se defender após a notificação, apresentando sua versão dos fatos ao juízo.
A medida protetiva em si não é uma condenação. Ela não cria antecedente criminal. Não significa que você é culpado de crime algum. É uma medida preventiva, não punitiva.
O que Acontece Depois que Você É Notificado?
Ao ser notificado da medida protetiva, você deve:
- Ler atentamente o documento e entender exatamente quais são as restrições impostas (distância mínima, proibição de contato, afastamento do lar, etc.)
- Cumprir integralmente as determinações — qualquer descumprimento é crime
- Procurar imediatamente um advogado criminalista
Quais São as Restrições Mais Comuns?
As medidas protetivas mais frequentemente deferidas incluem:
- Proibição de se aproximar da vítima a menos de determinada distância (100m, 200m, 300m — varia por decisão)
- Proibição de contato por qualquer meio (telefone, WhatsApp, e-mail, redes sociais, recados por terceiros)
- Afastamento do lar — se você morava na mesma residência, pode ser determinado que você saia
- Proibição de frequentar determinados locais (local de trabalho da vítima, escola dos filhos, etc.)
- Suspensão ou restrição de visitas aos filhos
- Entrega de armas de fogo (se você possuir registro ou porte)
O que Acontece se Eu Descumprir a Medida Protetiva?
O descumprimento da medida protetiva é crime autônomo, previsto no artigo 24-A da Lei Maria da Penha:
“Descumprir decisão judicial que defere medidas protetivas de urgência previstas nesta Lei: Pena – detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos.”
Além da pena do crime autônomo, o juiz pode decretar sua prisão preventiva — ou seja, você pode ser preso antes mesmo de qualquer julgamento.
Erros que podem ser fatais nessa situação:
- Mandar recado por terceiros (“diz pra ela que…”)
- Contato em redes sociais (mesmo que seja apenas ver o perfil dela)
- Aparecer em locais que ela frequenta, ainda que “por acidente”
- Enviar mensagens por WhatsApp de outro número
- Tentar negociar diretamente com a vítima
Qualquer contato, por menor que seja, pode ser interpretado como descumprimento e resultar em prisão.
E Se a Acusação For Falsa ou Exagerada?
Infelizmente, há casos — minoritários, mas reais — em que medidas protetivas são requeridas com base em acusações falsas ou distorcidas, geralmente no contexto de disputas de guarda ou separações litigiosas.
Se você acredita que está nessa situação, é fundamental agir pela via jurídica correta, e não tentar resolver a situação por conta própria.
O que seu advogado pode fazer:
- Apresentar impugnação ou pedido de revogação da medida, demonstrando a ausência dos pressupostos legais
- Produzir provas contrárias às alegações (mensagens, testemunhas, registros, laudos periciais)
- Representar criminalmente por denunciação caluniosa, se ficar comprovado que a acusação foi conscientemente falsa
O que você não deve fazer:
- Tentar convencer a vítima a retirar o pedido
- Pressionar familiares dela
- Publicar nas redes sociais sobre o caso
- Fazer qualquer tipo de contato, mesmo que “para esclarecer”
Qualquer dessas atitudes pode ser usada contra você como evidência de comportamento abusivo ou ameaçador.
Tenho Filhos em Comum. Como Fica a Visita?
Essa é uma das situações mais dolorosas para quem recebe uma medida protetiva. Se a medida incluiu suspensão ou restrição de visitas, você só poderá ver seus filhos nos termos autorizados pelo juiz.
O que pode ser feito:
- Pedir ao juiz a regulamentação de visitas por meio de uma ação específica no juízo de família
- Solicitar que as visitas ocorram em local neutro (casa de familiar) ou por meio de terceiro de confiança designado pelo juízo
- Requerer perícia psicossocial para avaliar as relações familiares
Jamais use os filhos como intermediários para contato com a mãe. Isso é ilegal e prejudicial às crianças.
Preciso de Advogado? Não Posso Me Defender Sozinho?
A Lei Maria da Penha criou um sistema especializado, com dinâmica própria, onde as garantias do processo penal clássico coexistem com mecanismos de proteção à vítima. Navegar por esse sistema sem orientação técnica é arriscado.
Um advogado criminalista especializado irá:
- Analisar a legalidade da medida protetiva e os fundamentos do deferimento
- Identificar eventuais irregularidades processuais
- Elaborar estratégia de defesa com base nos fatos e nas provas disponíveis
- Acompanhar audiências e eventuais oitivas
- Orientar sua conduta para evitar novos incidentes
- Representar seus interesses perante o juiz e o Ministério Público
O que Esperar do Processo a Seguir
Após a medida protetiva, o processo pode desdobrar-se em diferentes direções:
- Inquérito policial — investigação dos fatos alegados pela vítima
- Ação penal — se o Ministério Público entender que há crime, oferecerá denúncia
- Reavaliação periódica — a medida pode ser revisada ao longo do tempo
Em cada uma dessas etapas, a presença de um advogado faz diferença concreta no desfecho.
Conclusão
Receber uma medida protetiva é uma situação séria que exige atitude responsável: cumprimento rigoroso das determinações judiciais e busca imediata de orientação jurídica qualificada.
Reagir com raiva, tentar contato com a vítima ou desconsiderar as ordens judiciais são caminhos que invariavelmente pioram a situação.
A defesa técnica eficaz começa com calma, informação e um bom advogado ao seu lado.
Nosso escritório atende casos relacionados à Lei Maria da Penha em todas as suas frentes — para vítimas e para acusados.
Artigo escrito pelo Dr. Bruno Mohammed Zoher Jaffal, advogado criminalista especializado em delitos que envolvam violência doméstica e lei maria da penha.
Para dúvidas de casos concretos, solicite avaliação no link abaixo.
