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Descumprimento de Medida Protetiva: Crime e Consequências Imediatas

As medidas protetivas de urgência são instrumentos previstos na Lei Maria da Penha para garantir a segurança de vítimas de violência doméstica. Uma vez concedidas pelo juiz, passam a ter força de ordem judicial e o seu descumprimento é tratado como crime autônomo, com punições severas e efeitos imediatos.

O que é uma medida protetiva?

Medida protetiva é uma determinação judicial que impõe restrições ao agressor, visando proteger a vítima contra novas agressões físicas, psicológicas, sexuais ou patrimoniais. Elas podem incluir, por exemplo:

  • Afastamento do agressor do lar;

  • Proibição de contato por qualquer meio;

  • Restrição de aproximação física;

  • Suspensão de posse de arma de fogo.

Essas medidas podem ser solicitadas pela vítima, por seu representante legal ou pelo Ministério Público, e devem ser analisadas rapidamente pelo Poder Judiciário.

Descumprimento da medida protetiva: o que diz a lei?

O artigo 24-A da Lei Maria da Penha tipifica o descumprimento de medida protetiva como crime, com pena de 3 meses a 2 anos de detenção. Não é necessário que haja nova violência física para que o crime seja caracterizado — basta violar qualquer uma das condições impostas pelo juiz.

Exemplos de descumprimento

  • Aproximar-se da vítima a menos de 200 metros, quando proibido;

  • Telefonar, enviar mensagens ou interagir pelas redes sociais;

  • Frequentar locais onde a vítima costuma estar;

  • Retornar ao domicílio do qual foi afastado.

Consequências imediatas para o agressor

O descumprimento da medida protetiva pode gerar:

  • Prisão em flagrante: se a violação for constatada no momento;

  • Prisão preventiva: decretada pelo juiz, mesmo sem flagrante, se houver risco à vítima;

  • Agravamento da situação processual: dificultando pedidos de liberdade ou redução de pena;

  • Novo processo criminal: independente do processo original por violência doméstica.

O que acontece se a vítima quiser retomar contato?

Mesmo que a vítima manifeste interesse em retomar o contato, o agressor não pode fazê-lo sem autorização judicial. O simples fato de atender a um telefonema ou responder a uma mensagem pode caracterizar descumprimento.

Perguntas comuns sobre o descumprimento de medida protetiva

1. O crime é registrado automaticamente?
Sim, a autoridade policial deve lavrar o auto de prisão ou o boletim de ocorrência sempre que tomar conhecimento da violação.

2. O juiz pode revogar a medida protetiva?
Sim, desde que entenda que não há mais risco para a vítima. Até lá, as condições impostas devem ser integralmente cumpridas.

3. O descumprimento pode afetar outros direitos?
Sim. Pode impactar benefícios processuais e até prejudicar progressões de regime ou concessões de livramento condicional no futuro.

Diferença entre violência doméstica e descumprimento da medida

É importante destacar que o crime de descumprir medida protetiva não exige nova violência. Trata-se de proteger a autoridade das decisões judiciais e garantir a segurança da vítima, prevenindo riscos antes que algo mais grave aconteça.

Medida protetiva e reincidência

Quando há descumprimento, a reincidência pode agravar a pena. O histórico de violações pode ser usado pelo juiz para justificar medidas mais duras, como manter a prisão preventiva por mais tempo.

Importância de cumprir rigorosamente as ordens judiciais

O respeito às medidas protetivas é fundamental não apenas para evitar punições, mas também para preservar direitos futuros. Cumprir a ordem judicial demonstra boa-fé e pode ser um fator favorável em eventuais decisões processuais.

Conclusão

O descumprimento de medida protetiva é um crime sério, com consequências imediatas e potencial para agravar a situação do acusado. É fundamental compreender que tais medidas visam proteger vidas e garantir a segurança da vítima. O cumprimento fiel da ordem judicial é a única forma de evitar novos problemas legais e respeitar o direito alheio.

A informação é a melhor aliada para agir de forma correta diante da lei. Se tiver dúvidas sobre seus direitos e deveres, procure orientação jurídica ou se informe por fontes confiáveis para garantir que suas ações estejam sempre dentro da legalidade.

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